Por José Marcio Tavares
Diariamente se lê no PIG (Partido da Mídia Golpista) que o governo aparelhou o estado. Mas o que significa esse termo “aparelhou o estado”? Para a imprensa isso significa que: o PT e seus aliados estariam usurpando o que não lhes pertence ao colocar em cargos de confiança militantes e “apadrinhados”.Embora esse tipo de argumento não tenha nem o mérito de ser novo, pois a mesma coisa diziam de Getúlio no seu segundo mandato, Juscelino e Jango. A UDN no estado da Guanabara e o PSDB e PFL, segundo a imprensa, nunca teriam cometido esse pecado… Estranho, não é? No governo FHC, onde havia tucanos em toda a estrutura administrativa, essa expressão – ” aparelhar o Estado” – nem mesmo era usada. Alguém se lembra?
O que têm esses três governos (Juscelino, Jango e Getúlio) em comum com o de Lula? Embora não sejam governos ditos “populares” nem socialistas, foram e é (o atual) mais generosos SIM para com os da base da pirâmide social. Isso é inegável e a imprensa reclama muito por isso, chamando-os de “populistas” (clique: Ali Kamel contra bolsa-família ou DEM e PSDB contra programa social).
É sempre a mesma novela. Quando um governo se preocupa um pouquinho mais com os pobres, lá vem a mesma ladainha, gritam: “populista”, “aparelhista” e “corrupto’. Não têm nem a preocupação de ser um pouquinho mais criativos, volto a repetir.
No plano estadual é a mesmíssima coisa. Lembram-se dos dois governos Brizola aqui no Rio (lá no Rio Grande deve ter sido a mesma coisa)? As Organizações Globo, da famiglia Marinho (sempre eles!) não deram trégua ao velho caudilho. Nem sua família foi poupada.
Para a direita, populista é todo aquele dirigente que gasta dinheiro com pobre.
Bem, mas o papo aqui é “aparelhismo”. Voltemos a ele.
Noutro dia eu ouvi alguém dizer em tom de zombaria que o Lula já fez muito em se eleger e tomar posse. Agora, ainda por cima querer governar, aí já é demais. Nas palavras da direita, “isso é contra a ordem natural das coisas”. É subversão dos valores.
Ela, a direita, queria que o Lula governasse só com o tucanato. Nada de colocar petista e pedetista, essa raça despreparada na administração pública. Onde já se viu, um cara que já foi jornaleiro como o Carlos Lupi querer ser ministro do Trabalho.
Semana passada, em mais uma tentativa de se criar uma crisezinha, acusaram o ministro do Trabalho de favorecer ONGs ligadas ao PDT. Depois, ao se fazer uma apuração, chegou-se à conclusão que as ONGs ligadas ao tucanato tiveram mais verbas liberadas pelo Ministério do Trabalho. Aí ficaram caladinhos. Já tinham alcançado seu objetivo que era o de elamear mais uma reputação através de seus aliados do PIG.
Ainda que ele tivesse mesmo favorecido o PDT, qual o problema? O PDT ganhou a eleição juntamente com o Lula no segundo turno. Juntamente com o PT do presidente da República ajuda a governar o Brasil. Isso foi conseguido, é sempre bom repetir, através de eleições livres e limpas. Mesmo com PIG fazendo de tudo pra eleger seu candidato conservador do PSDB. Já foi provado estatisticamente que, durante o período eleitoral as matérias favoráveis à oposição foram em número muito maior.
Mas é a regra do jogo democrático. Participa-se de eleições. A sociedade escolhe quem vai governar. Os eleitos governam. Qual o problema?
No órgão público onde trabalho, vira e mexe, vem alguém dizer que o governo “aparelhou”. Aparelhou sim, de projetos que têm como objetivo o melhorar a vida das pessoas e desenvolver o país. Bem diferente do tucanato que só se preocupou com o desenvolvimento da privataria. Venda do patrimônio nacional a preço de banana. E banana podre. Aquela de final de feira.
Mais não se fez, na minha opinião, porque o tucanato plantou raízes profundas em vários órgãos e o que mais se vê lá são tucanos de carteirinha desempenhando funções de confiança no governo Lula. Como é o caso do economista portenho que até bem pouco tempo esteve “trabalhando” no IPEA e agora virou Chefe de Departamento em outro órgão.
Essa turma demo-tucana não admite tenha técnicos de confiança. Como se fosse um favor o presidente Lula nomear seus auxiliares mais diretos.
Pra essa turma, portanto, “aparelhamento do estado” é vencer a eleição e, depois, governar. E governar com os olhos voltados para o crescimento (que nem é lá essas coisas).
Se querem voltar em peso para o aparelho de estado, nas próximas eleições subam no banquinho da praça e façam um discurso mais de acordo com os anseios da sociedade. Não venham de novo com aquela lenga-lenga de dizer que vai vender até o avião que serve à Presidência. Do contrário, vão passar mais quatro longos anos atirando pedras e tentando não permitir que se governe o Brasil.
Que Deus na sua infinita misericórdia nos proteja desse mal.
* José Marcio Tavares: Ex-Diretor de Comunicação do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, Contador, Funcionário público aposentado. Violonista.

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